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“Os Rotulados e Estigmatizados”

Atualmente, muitas pessoas tem acesso à internet e, quando se sente algo estranho nas emoções a pessoa vai aos sites de busca, digita o que está sentido, e logo se identifica com algo lido e já se faz apressadamente uma espécie de “autodiagnóstico”.

Vivemos num tempo, que é cada vez mais comum escutar pessoas dizerem: “Pelo que vi na internet ou aquilo que pesquisei no google, tenho transtorno de ansiedade generalizada!” ou “Tenho TDAH pelo que dizem por aí”. Vivemos em uma época onde a individualidade, as subjetividades, o ser como único, tem se transformado na espécie de um “Robôs” onde todos são rotulados com os seus estigmas.

Já escutei numa instituição onde ministrei aulas de filosofia, na sala dos professores (infelizmente... a seguinte afirmação de uma professora: “O grupinho do TDAH hoje está atacado”, naquele momento percebi, que as pessoas não passam de rótulos que vão recebendo ao longo da vida, por “autodiagnósticos”.

Todavia, apenas o profissional especializado pode dar um psicodiagnóstico!

Gosto do olhar que vem a partir do escritor e psicanalista Winnicott, quando se diz que normalidade é manifestar todas as emoções e sentimentos que dizem respeito ao ser humano, mas parece que em nossos dias sentir tristeza é algo proibido, ser agitado é estar fora do padrão, e para que a nossa sociedade quer padronizar ou robotizar as nossas crianças.

Para A Psicanálise defendida por Winnicott, a normalidade seria poder regredir quando a vida aperta para se refazer e assim prosseguir. A visão de Winnicott é muito humanizada, é um olhar além do adoecimento. Sendo assim, se “diagnosticar” através de pesquisas feitas no Google, ou através do que alguém disse em alguma rede social é algo preocupante. Até porque é mais fácil diagnosticar do que ir no fundo do subjetivismo do ser, respeitando a singularidade de cada indivíduo. É preciso levar em consideração a história de vida de cada pessoa em sua particularidade.

Também aproveito para dizer que o objetivo de uma análise não é formar pessoas iguais, mas sim, ter uma vida mais interessante (que é algo bem subjetivo e humanizado) e assim ampliar o repertório psicológico para que aquela pessoa possa viver de maneira saudável. Portanto, que possamos substituir os rótulos colocados ao longo da nossa vida, por diferenças de pessoas, que faz acontecer aquilo que tanto falamos: ter uma vida saudável, afinal, a vida pede equilíbrio, e este vem das diferenças de cada pessoa.


Psi. Alessander Capalbo

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